In Discipline: Talks from the European Side

For our third installment of In Discipline, Ana, Liza, and I are very happy to introduce José Dias, our second PhD student from the Instituto de Etnomusicologia, Musica e Dança, Universidade Nova de Lisboa in Portugal. We are excited to post interviews from students, not only from around Europe, but also from the same country, to get as wide a perspective and to feature as many ethno student voices as possible.

Jose Dias pic

Tell us about your interest in ethnomusicology. What theories, issues, and/or areas are you tackling in your personal research?

O meu interesse em etnomusicologia começou quando eu, enquanto músico, procurava uma área de estudo e pesquisa que complementasse a minha actividade. Como músico com formação na área do jazz, estava sobretudo interessado em compreender os aspectos sociológicos e ideológicos associados a este género em particular. Como resultado, a minha investigação começou por se focar na educação de jazz em Portugal. Actualmente estou na fase final do meu doutorado e minha pesquisa tem sido feita essencialmente sobre redes de jazz da Europa. Estou particularmente interessado em questões relacionadas com a identidade cultural, as políticas culturais, a disseminação da música e as redes sociais e musicais.

My interest in ethnomusicology began when I, as a musician, was searching for an area of ​​studies and research that would complement my metier. As a trained jazz musician, I was interested in understanding the sociological and ideological aspects associated with this particular genre. As result, my research began by focusing on jazz education in Portugal. Currently I’m finishing my PhD and my research has been done essentially on jazz networks in Europe. I’m especially interested in issues associated with cultural identity, cultural policies, music dissemination, and social and musical networks.

Regarding your program of study, what is ethnomusicology like in your part of the world? How is it situated at the university?

A Etnomusicologia na minha faculdade é parte do departamento de Ciências Musicais, que inclui também as áreas da Musicologia Histórica e do estudo teórico da performance musical. Em Portugal houve, durante muitos anos, um especial enfoque dado às questões associadas ao património musical nacional, regional e local. Esta é uma abordagem que era necessária na afirmação da disciplina no panorama académico do país e que ainda subsiste, mas que tem sido gradualmente – e quase radicalmente – mudada nos últimos tempos. Depois de uma fase em que se privilegiou mapear diferentes expressões musicais no país, as propostas teóricas da nova geração de investigadores têm sido bem acolhidas e até encorajadas pelos pares e mentores. Tem-se observado a emergência de trabalhos que exploram áreas como os gender studies, os média e a sociologia da música. A performance musical está absolutamente ausente da área específica da Etnomusicologia na universidade. Enquanto músico, logicamente que acharia interessante ter acesso a uma formação que também contemplasse uma componente de prática musical e que ter formação musical é uma mais-valia no trabalho de campo. Contudo, o departamento, para além de ter uma área específica para o estudo da performance musical, encoraja os alunos de Etnomusicologia e de Musicologia Histórica a incorporar, sempre que assim o desejem, performance musical nas suas apresentações e nas actividades extracurriculares da universidade. Por outro lado, os alunos de Etnomusicologia que não têm formação musical não devem ser privados de fazer investigação e têm muitas vezes feito contributos imprescindíveis para a investigação.

At my university, Ethnomusicology is part of the Musicology Department, which also includes ​​Historical Musicology. In Portugal, for many years, there was a special focus given to the issues associated with national, regional and local musical heritage. This was an approach that was essential for Ethnomusicology to claim its space in the country’s academic world, and which still exists, but has gradually been – and almost radically – changed in recent times. After a period when mapping different musical expressions in the country was favoured, the theoretical proposals made by the new generation of researchers have been welcomed and even encouraged by their peers and mentors. Works exploring such areas as gender studies, media studies and sociology of music have increasingly emerged. As a musician, logically I would gladly welcome having access to advanced training in musical performance. Also, I think being a trained musician can be a great asset in field work. Indeed, most of the researchers at the department are trained musicians. However, in addition to having a specific area for the study of musical performance, the department encourages Ethnomusicology and Historical Musicology students to incorporate musical performance in their presentations and in the university’s extracurricular activities. On the other hand, students of ethnomusicology who have no musical training should not be deprived of doing research in Musicology and have often made essential contributions to the area.

What are the requirements for the degree at your university? What kinds of professional societies or journals exist in the discipline? Is there any pressure to publish and if so, is there any encouragement to do so in English?

Embora alguns poucos trabalhos práticos que envolvem trabalho de campo sejam pedidos aos alunos, o programa de estudos é quase exclusivamente teórico. Da minha experiência, senti que a formação incide na produção de trabalho escrito, mas que não existe um número coincidente de publicações na área da musicologia no país. Os estudantes são impelidos a escrever em revistas com um factor e impacto elevado, sem nunca terem antes tido a oportunidade de escrever noutros fóruns académicos, aparte dos papers em conferências. Este fosso poderia ser colmatado com uma publicação regular peer-reviewed, impressa ou online, que desse espaço para toda a produção que é feita pelo departamento. Não existe qualquer pressão para publicar em inglês, o que diminui a exposição do trabalho da esmagadora maioria dos investigadores. Alguns muito poucos, nos quais eu me incluo, têm decidido escrever em inglês, o que nos tem permitido estar inseridos em redes internacionais de investigadores com interesse na mesma área. A biblioteca do departamento está muito bem equipada e permite uma pesquisa bastante eficaz. O departamento tem-se mostrado receptivo às sugestões dos investigadores.

Although some (little) practical work involving field work is requested to students, the program is almost entirely theoretical. From my experience, I felt that the training focuses mainly in producing written work, but there is not correspondence between the scarce numbers of publications in the field of musicology in the country and that training. Students are urged to write in academic journals with a high impact factor, having never before had the opportunity to write in other academic forums, apart from papers at conferences. This gap could be filled with a regular peer-reviewed publication, printed or online, that would give room for the whole production that is being made by the department. There is no pressure to publish in English, which, in my view, reduces the exposure of the work made by the majority of the researchers. Some, me included, have chosen to do so. This has allowed us to engage in networking with other researchers with same interests on an international level. The department’s library is very well equipped and allows a very efficient search. The department has proved receptive to suggestions from researchers.

What has been your experience in terms of financing your degree? Is funding available for ethnomusicology students?

Nem sempre as sugestões resultam em mudança, mas esse facto deve-se sobretudo a restrições financeiras que são transversais ao ensino superior em Portugal. Todas as universidades enfrentam um cenário económico complicado. O financiamento tornou-se escasso e de cada vez mais difícil acesso. Bolsas de estudo foram concedidas a muito poucos alunos (cerca de 4 por ano em Musicologia). Como resultado, fiz todo o meu trabalho de campo às minhas expensas, que têm sido difíceis de suportar, sobretudo porque, no meu caso, envolve viagens consideravelmente por toda a Europa. O meu trabalho como músico e professor de música tem tornado isso possível. Alguns dos custos dos congressos internacionais em que participo foram também parcialmente financiados pelo departamento.

Not always do suggestions result in change, but that is mainly due to the financial constraints that are transversal to academia in Portugal. All universities face a complicated economic backdrop. Funding has become scarce and increasingly difficult to access. Very few students have been granted fellowships (approximately 4 per year in Musicology). As result, I have made all of my fieldwork research on my expenses, which have been difficult to support because, in my case, it involves considerable traveling throughout Europe. My work as a musician and music teacher has made it possible. Some of the international conferences’ fees I have attended have also been partially supported by the department.

How do you feel about the state of communication between European ethnomusicology students? Are there forums that facilitate communication and if so, what are they?

Uma vez que a minha investigação se debruça sobre jazz na Europa, tenho trabalhado principalmente inserido no conjunto de pessoas que fazem investigação em jazz studies no espaço europeu. Os jazz studies tanto surgem posicionados dentro da Etnomusicologia (como acontece em Portugal) ou autonomamente. Os investigadores europeus de jazz são muito colaborativos e muito frequentemente trabalham em rede. Desde 2011, o Rhythm Changes, um projecto de investigação transeuropeia, tem feito conferências anuais, que têm servido como o principal fórum para o trabalho em rede e para a troca de informações. Essas colaborações são muito produtivas e neste campo específico tem vindo a crescer gradualmente. No meu caso, a minha pesquisa tem sido amplamente debatida com outros investigadores e algum do trabalho publicado foi escrito em co-autoria.

Since my research deals with jazz in Europe, I have mainly worked within the European jazz studies research area. Jazz studies are positioned either within Ethnomusicology (as it does in Portugal) or autonomously. European jazz researchers are very collaborative and often engage in networking. Since 2011, Rhythm Changes, a trans-European research project, has made annual conferences, which have served as the main forum to networking and exchanging information. Those collaborations have been quite productive and this specific field is gradually growing. In my case, my research has been extensively debated with other researchers and some published work has been done in co-authorship.

What do you think about the future of ethnomusicology? What are your plans for after graduation?

Como para muitos dos meus colegas, o futuro é bastante incerto e muito pouco promissor. Muitos buscam oportunidades de trabalho em universidades de outros países. Mas também essas provaram ser cada vez mais difíceis de obter. Naturalmente gostaria de ficar no meu país e contribuir para o desenvolvimento do departamento. No entanto, também considero mudar para o exterior se uma oportunidade interessante se apresentar.

Like for many of my colleagues, future is quite uncertain and unpromising.  Many search for job opportunities in other countries’ universities, which have also proved to be harder to get. Of course, I would love to stay in my country and contribute to the department’s development. However, I also consider moving abroad if an interesting opportunity comes along.

 

 

 

 

 

 

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